“Não desprezem os pequenos começos, porque os homens se alegram vendo o início desta obra, vendo o prumo nas mãos de Zorobabel. Estas sete luzes simbolizam os olhos do Senhor que tudo veem, em todo o mundo” (Zc 4.10).
Se você é daquele tipo de pessoa que mal espera para ver o resultado, te convido a refletir sobre a importância dos pequenos começos.
Enquanto seres humanos e ansiosos por natureza, muitas vezes já queremos o desfecho das coisas, sem entender a importância e quão grandiosos são os inícios. A Bíblia nos orienta a não desprezarmos o início das coisas, e o Senhor se alegra com os pequenos começos e as inspirações que são criadas a partir destes.
Aqui quero exemplificar com um tema importantíssimo e que tem ganhado cada vez mais espaço em nosso meio Batista: acessibilidade.
O ato de incluir grupos com necessidades especiais em nossos cultos e atividades vai muito além de fazê-los entender o que é dito. É desenvolver um ambiente acessível para informar, conscientizar, trazer o tema para o dia a dia e, acima de tudo, torná-los parte de tudo o que vivenciamos, inclusive, servindo.
Essa visão parte da necessidade e a vontade de supri-la. Em 2022, a Juventude Batista Brasileira (JBB) realizou a conferência “Despertar” em João Pessoa – PB. Divisor de águas para o pequeno começo da coordenadoria de Acessibilidade (criada naquele mesmo congresso no mesmo ano). As dificuldades encontradas foram desafiadoras, como conta Nayane Lacerda, coordenadora de Acessibilidade da JBB.
Eram apenas três pessoas para cobrir o evento de quatro dias, então, o cansaço se fazia presente. Cada pessoa de um lugar diferente, dificultando a interpretação por conta do regionalismo. Aquele Despertar foi marcado por músicas nordestinas e toda a sua cultura. Mas, durante os cultos, houve um espaço para que fossem ensinados três sinais em Libras, assim, as pessoas foram se envolvendo e, no último dia de congresso, foi criada a coordenadoria de Acessibilidade da JBB durante um culto.
Daniel Andrade era um dos três intérpretes presentes no Despertar 22. Ele conta que começou a interpretar no final de 2021 e que a experiência de interpretar uma mensagem durante o culto aconteceu pela primeira vez no congresso. Além disso, muitos líderes de Igreja e pastores foram despertados através daquele movimento. “Nenhum trabalho é vão no Senhor, nenhum desgaste que nós tivemos foi em vão porque muitas coisas aconteceram desde então”, disse.
O que Deus realizou na Paraíba continuou e continua ecoando desde então. Nem sempre para realizar a interpretação, mas para conscientizar e desenvolver a visão do Reino acessível em líderes, pastores ou qualquer outra pessoa que seja despertado para isso, assim, ecoando a acessibilidade para as Igrejas locais. Daniel ainda cita uma das missionárias voluntárias do Pés no Arado 2023, Jackeline Barros, que interpretou pela primeira vez nessa viagem missionária. Hoje, ela é a coordenadora de Acessibilidade no Estado de Alagoas, onde mora.
No último “Despertar”, em 2023, foram 19 voluntários de Acessibilidade. Número expressivo e inesperado pela coordenadoria. Além disso, contaram com a presença de surdos que participaram do evento tendo interpretação em todos os momentos do congresso. Uma pregação inteira em Libras, ministrada pelo pastor Adoniran Melo, e uma intervenção sobre Acessibilidade também puderam ser registradas na conferência.
Também foram utilizadas cadeiras de rodas para algumas pessoas que precisaram no decorrer do congresso e em todos os cultos, áudio descrição. Assim, a equipe pôde entender, na prática, o que é acessibilidade e todos os congressistas presentes puderam experimentar uma visão sobre o tema.
Através do pequeno começo da coordenadoria de Acessibilidade em 2022, Daniel hoje mobiliza a equipe de Acessibilidade do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (STBSB), no Rio de Janeiro – RJ. As Jubas regionais também foram inspiradas e, hoje, quatro delas possuem também uma coordenadoria na área.
“Os pequenos começos sempre têm proporções celestiais”. Deus ama e valoriza cada pequeno começo porque, a partir deles, ecoam grandes mudanças em Seu Reino. Que possamos valorizar os inícios e sermos gratos por fazer parte deles. E que, através dos nossos pequenos começos, o Reino de Deus seja cada vez mais acessível.
Ludh-Myla Freitas
Voluntária da coordenação de Comunicação da Juventude Batista Brasileira
O JORNAL BATISTA Domingo, 31/03/24