Rebecca Araujo
Membro da Primeira Igreja Batista em Barcelona – ES; atualmente é Coordenadora de Intercessão e Oração da Juventude Batista Brasileira

Se você é um cristão que foi ensinado e motivado desde o início da sua caminhada de fé a orar, por certo tem o costume de fazer algumas orações de maneira habitual ao longo do dia: ao acordar, antes das refeições e antes de dormir. No entanto, pode ser que, assim como a maioria, às vezes você se veja caindo no automatismo do cotidiano, realizando orações vazias, repetitivas e até mesmo sem pensar a quem elas são direcionadas.

A Bíblia nos relata que, certo dia, tendo Jesus terminado uma de Suas orações, os discípulos lhe pediram: “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc.11.1). Ao ouvir aquilo, Jesus apresentou algumas dicas valiosas (Mateus 6.5-8) e um modelo de oração (Mateus 6.9-13) que não serviu apenas aos primeiros discípulos, mas continua a nos ensinar na contemporaneidade.

“Pai nosso” é o termo usado por Jesus no início da oração, o que nos faz lembrar que é por causa dEle e para Ele que nós devemos orar, dedicando nosso coração. Além de nosso Pai, é criador, amigo e Senhor. Em seguida, Jesus rende adoração ao Pai e pede que a vontade dEle seja feita, para somente após isso pedir pelo pão, perdão e livramentos. Assim, fica a pergunta: ao orar, nós temos nos lembrado de que é ao Pai que devemos orar?

Ainda é possível fazermos algumas outras perguntas: “Se não ao Pai, a quem temos orado?”, “Onde nossos corações têm estado durante nossas orações?”, “Qual a nossa motivação ao orar?”, “O que move as nossas orações?” e “Nossas orações têm sido sinceras e constantes?”.

Ao respondermos tais perguntas com honestidade, pode ser que encontremos respostas desagradáveis sobre nós mesmos, mas necessárias para que nosso coração, tão frágil e leviano, encontre ao Senhor verdadeiramente, e assim, sejamos firmados nEle, fortalecidos em Seu amor.

Sem essa reflexão, é bem provável que nos tornemos como aquelas pessoas das quais Jesus relata no início de Mateus 6, às quais “gostam de orar em público […] onde todos possam vê-las” (v.5) e “que pensam que por muito falarem serão ouvidas” (v.7). Pessoas tão cheias de si, que não se atentam ao que realmente importa na oração: render os seus corações ao Pai, a fim de que tenham um relacionamento cada vez mais profundo com Ele, que é o único que pode moldar e mudar corações. Afinal, as nossas orações não mudam a Deus, mudam a nós mesmos (C.S. Lewis), pois se são feitas a Ele, damos permissão para que a vontade dEle seja feita em nossas vidas.

Então, ao orar, que nossas palavras, sentimentos, silêncios e lágrimas sejam direcionadas ao nosso Pai; que todas as nossas expectativas, frustrações, sonhos e necessidades sejam deixadas aos pés dEle, para que haja espaço em nossos corações para a presença dEle e o Seu querer.

Deus não desconhece nada a respeito de nós, muito pelo contrário, Ele deseja que o procuremos e nos permitamos ser encontrados por Ele, para vivermos o que é bom, agradável, perfeito (Romanos 12.2b) e, principalmente, o que resultará na eternidade com Ele.

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